Ela morreu com apenas 24 anos, depois de viver praticamente toda a sua vida religiosa escondida no Carmelo de Lisieux. Mesmo assim, Santa Teresinha do Menino Jesus tornou-se mestra espiritual de outros homens e mulheres que também chegariam aos altares.
São santos, beatos, veneráveis e servos de Deus de diferentes países, estados de vida e carismas que leram seus escritos, recorreram à sua intercessão ou procuraram seguir a sua «Pequena Via».
São João Paulo II reconheceu essa extraordinária influência ao proclamá-la Doutora da Igreja, em 1997, destacando como sua doutrina havia alcançado pessoas de todas as vocações e culturas e influenciado até homens e mulheres cuja santidade seria reconhecida pela própria Igreja.
Santa Faustina Kowalska: «tinha grande devoção a ela»
No caso de Santa Faustina, a prova da devoção vem de sua própria pena.
No número 150 do Diário, Faustina conta que, durante o noviciado, atravessava grandes dificuldades e decidiu fazer uma novena a Santa Teresinha. Ao explicar sua escolha, deixou registrado que antes mesmo de entrar para o convento já tinha grande devoção à santa de Lisieux.
Durante a novena, Faustina relata ter sonhado com Teresinha. Primeiro, a santa procurou consolá-la e incentivá-la a confiar mais em Jesus. Depois, Faustina perguntou se um dia também seria santa. Segundo seu relato, Teresinha respondeu que sim, mas disse que ela deveria confiar no Senhor.
“Quero anotar um sonho que tive a respeito de Santa Teresinha do Menino Jesus. Eu era ainda noviça e tinha certas dificuldades que não conseguia superar. De repente, veio-me a ideia de rezar a Santa Teresinha do Menino Jesus. Comecei uma novena a essa santa, pois já antes do ingresso no convento tinha grande devoção a ela. No quinto dia da novena sonhei com Santa Teresinha, mas como se ela estivesse ainda na terra…”
Santa Teresa de Calcutá: seu próprio nome recordava Teresinha
Antes de se tornar conhecida no mundo inteiro como Madre Teresa, Gonxha Agnes Bojaxhiu ingressou nas Irmãs de Loreto.
Ali recebeu o nome religioso de Irmã Mary Teresa, escolhido em homenagem a Santa Teresinha de Lisieux.
Não se trata de uma associação feita posteriormente por seus biógrafos. A própria biografia oficial publicada pela Santa Sé registra expressamente que ela tomou o nome de Teresa por causa da santa de Lisieux.
Há ainda uma bonita afinidade entre as duas espiritualidades. Teresinha descobriu sua vocação como sendo o amor no coração da Igreja. Madre Teresa faria da caridade vivida nos pequenos gestos cotidianos uma das marcas de sua própria missão entre os mais pobres.
Assim, o nome pelo qual uma das santas mais conhecidas do século XX entrou para a história já carregava consigo a memória da pequena carmelita francesa.
Santa Teresa de Los Andes: Teresinha ajudou-a no caminho para o Carmelo
Em 1914, a jovem chilena Juanita Fernández Solar, futura Santa Teresa de Jesus dos Andes, entrou em contato com História de uma Alma. Ela tinha apenas 14 anos.
A cronologia oficial de sua vida registra justamente nesse período a leitura dos escritos de Teresinha e o amadurecimento de sua decisão de pertencer inteiramente a Cristo e abraçar a vida carmelita.
Isso aconteceu quando Santa Teresinha ainda nem sequer havia sido beatificada, o que mostra a velocidade impressionante com que seus escritos começaram a circular e influenciar vocações pelo mundo.
Juanita entraria posteriormente no Carmelo de Los Andes e morreria com apenas 19 anos. Em 1993, São João Paulo II a canonizou, tornando-a a primeira santa do Chile.
Uma jovem carmelita que morreu aos 24 anos havia ajudado outra jovem carmelita, do outro lado do mundo, a descobrir seu próprio caminho de santidade.
Santa Dulce dos Pobres: a Pequena Via transformada em serviço
Santa Dulce dos Pobres também teve Teresinha entre suas referências espirituais. Ao apresentar a trajetória da futura santa brasileira, o Vatican News recordou que a vida de Santa Teresinha esteve entre as inspirações que marcaram seu discernimento vocacional.
E Irmã Dulce chegou a formular essa influência de maneira muito concreta:
«A exemplo de Santa Teresina, penso que todos os pequenos atos de amor, por menores que sejam, agradam ao Menino Jesus.»
A frase revela uma proximidade evidente com a Pequena Via: a santidade construída não necessariamente por feitos extraordinários, mas pela fidelidade e pelo amor colocados nas pequenas coisas.
No caso de Dulce, esses «pequenos atos» acabariam se multiplicando no cuidado diário com pobres, doentes, idosos e pessoas abandonadas, dando origem a uma das maiores obras sociais do Brasil.
São Josemaria Escrivá: Teresinha estava entre suas grandes referências carmelitas
A devoção de São Josemaria Escrivá por Santa Teresinha também aparece de maneira bastante concreta em seus escritos e em documentos de sua vida.
O fundador do Opus Dei conhecia profundamente a tradição espiritual do Carmelo e citava com frequência Santa Teresa de Jesus, São João da Cruz e Santa Teresinha do Menino Jesus.
Há ainda um detalhe significativo: em 1929, Josemaria vinculou-se a uma associação espiritual relacionada a Lisieux, a União Sacerdotal dos Irmãos Espirituais da Pequena Teresa. Anos depois, em 1955, peregrinou pessoalmente a Lisieux.
Em seus escritos, também recorreu a episódios da vida de Teresinha para explicar o amor pelas almas e a infância espiritual. O próprio Opus Dei conserva diversos testemunhos dessa proximidade com a santa francesa.
Teresinha ajudava Josemaria a compreender uma ideia que também seria central em sua pregação: as pequenas ações da vida cotidiana podem tornar-se caminho de santidade quando realizadas por amor a Deus.
São João XXIII: peregrino de Lisieux
Angelo Giuseppe Roncalli, o futuro São João XXIII, também nutria profunda estima por Santa Teresinha.
São João Paulo II fez questão de mencionar essa ligação na carta apostólica que proclamou Teresinha Doutora da Igreja. Segundo o documento, Roncalli visitou Lisieux diversas vezes, especialmente durante os anos em que serviu como representante pontifício na França.
Ele também manifestou em diferentes ocasiões sua admiração e devoção pela santa.
Esse testemunho é especialmente interessante porque mostra que a influência de Teresinha não ficou restrita ao universo carmelita ou às comunidades religiosas femininas. Um diplomata da Santa Sé, futuro Patriarca de Veneza e depois Papa, também recorria àquela jovem carmelita como referência espiritual.
Beato Maria-Eugênio do Menino Jesus: uma «amiga de infância»
O futuro carmelita Henri Grialou conheceu Teresinha ainda jovem e ficou profundamente impressionado por sua espiritualidade.
Durante a Primeira Guerra Mundial, carregava consigo um pequeno livro sobre ela e afirmaria depois que nenhum outro livro havia provocado nele semelhante impressão.
Quando Teresinha foi beatificada, em 1923, Maria-Eugênio considerou aquele um dos dias mais belos de sua vida. Chegou a dizer que havia rezado pela glorificação dela mais do que por qualquer outra intenção.
Beato Daniel Brottier: sua obra colocada sob a proteção de Teresinha
O missionário espiritano Daniel Brottier também desenvolveu grande confiança em Santa Teresinha.
Quando assumiu a obra dos Órfãos Aprendizes de Auteuil, em Paris, colocou aquela missão sob sua proteção e promoveu a construção de uma igreja dedicada à santa.
Para Brottier, Teresinha tornou-se uma verdadeira companheira espiritual na missão de cuidar das crianças e jovens mais vulneráveis.
Servo de Deus Jacques Fesch: «ela não pode deixar de cuidar de mim»
Talvez seja um dos testemunhos mais impressionantes.
Jacques Fesch estava preso e condenado à guilhotina quando viveu uma profunda conversão. Nos últimos meses de vida, encontrou em Santa Teresinha uma intercessora e procurou seguir sua Pequena Via através de pequenas renúncias e atos de amor.
Ele conhecia a história de Henri Pranzini, condenado à morte por quem Teresinha havia rezado quando adolescente. Percebendo a semelhança entre os dois casos, escreveu:
«Ela ‘salvou’ a alma de um condenado à morte. Meu caso é parecido demais para que ela não cuide de mim.»
Em outra passagem, escreveu que colocava espiritualmente uma mão na da Virgem Maria e a outra na de Teresinha.
Jacques foi guilhotinado em 1º de outubro de 1957. Naquele tempo, a festa litúrgica de Teresinha ainda era celebrada em 3 de outubro. Décadas depois, com a reforma do calendário, justamente o dia 1º de outubro passaria a ser sua memória litúrgica.
Venerável Marthe Robin: «uma irmã mais velha»
Marthe Robin falava de Santa Teresinha com uma intimidade impressionante.
Chegou a descrevê-la como «uma irmã mais velha» e dizia que sua doutrina do amor havia feito muito bem à sua alma em períodos de escuridão e sofrimento.
Marthe recorria a História de uma Alma e encontrava na confiança ensinada por Teresinha uma resposta para sua própria experiência espiritual.
Venerável Alfredo Obviar: uma congregação sob o nome de Teresinha
Nas Filipinas, a devoção ganhou uma expressão institucional. O bispo Alfredo María Obviar fundou, em 1958, as Missionárias Catequistas de Santa Teresa do Menino Jesus, colocando sua família religiosa sob o patrocínio da santa de Lisieux.
É uma escolha particularmente significativa: a religiosa que nunca deixou a clausura tornou-se modelo para uma congregação missionária e catequética.
Serva de Deus Dorothy Day: escreveu um livro sobre Teresinha
A relação de Dorothy Day com Teresinha teve um começo curioso. Quando leu História de uma Alma pela primeira vez, a jornalista norte-americana recém-convertida não ficou particularmente impressionada. Com os anos, porém, começou a compreender cada vez melhor a profundidade da Pequena Via.
A influência foi tamanha que Dorothy escreveu uma biografia inteira da santa, simplesmente intitulada Thérèse, publicada em 1960.
A Dorothy Day Guild chega a apresentar Teresinha como uma espécie de santa padroeira de Dorothy, destacando como ela encontrou na Pequena Via uma inspiração para viver a caridade, a justiça e a paz nas pequenas escolhas cotidianas.
Servo de Deus Marcel Van: Teresinha como irmã espiritual
No Vietname, a influência de Teresinha assumiu uma forma singular na vida do Servo de Deus Marcel Van. Ainda jovem, Marcel encontrou História de uma Alma e ficou profundamente marcado pela descoberta da Pequena Via.
Em seus escritos espirituais posteriores, passou a referir-se a Teresinha como sua irmã espiritual, relatando inclusive experiências interiores de diálogo com ela.
Esses diálogos pertencem ao âmbito de suas experiências místicas pessoais, mas sua devoção a Teresinha e sua dependência espiritual dos ensinamentos da santa aparecem abundantemente documentadas em seus próprios escritos.
Uma santa que ajudou a formar outros santos
Talvez seja justamente aqui que percebemos a força daquilo que Teresinha chamou de sua «chuva de rosas».
Ela não conquistou somente admiradores: ajudou a formar santos.
Faustina recorreu a ela numa novena. Madre Teresa carregou seu nome. Teresa de Los Andes encontrou em seus escritos luz para a própria vocação. Dulce aprendeu com ela o valor dos pequenos atos de amor. Josemaria meditou sua infância espiritual. João XXIII peregrinou a Lisieux. Jacques Fesch encontrou nela esperança diante da própria morte.
Homens e mulheres de continentes, carismas e histórias completamente diferentes encontraram na mesma jovem carmelita um caminho simples: confiar, amar e oferecer a Deus as pequenas coisas de cada dia.
Talvez essa seja uma das formas mais concretas pelas quais Santa Teresinha cumpriu aquilo que havia prometido antes de morrer: continuar sua missão no Céu e fazer o bem sobre a terra.
Santa Teresinha do Menino Jesus, rogai por nós!

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