Santidade Brasileira

O Brasil precisa de santos: conheça a santidade que floresceu em nossa terra

Em 18 de outubro de 1991, São João Paulo II estava em Florianópolis para um acontecimento histórico. Diante de uma multidão de fiéis, o Papa presidia a beatificação de Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus, religiosa nascida na Itália, mas que ainda criança veio para o Brasil, onde viveu praticamente toda a sua vida, fundou uma congregação religiosa e morreu.

Ao final da homilia, João Paulo II deixou uma frase que atravessaria as décadas e se tornaria quase um programa espiritual para a Igreja em nosso país: «O Brasil precisa de santos, de muitos santos!»

O Papa acrescentou que «a santidade é a prova mais clara, mais convincente da vitalidade da Igreja em todos os tempos e em todos os lugares».

Onze anos depois, em 19 de maio de 2002, Madre Paulina seria canonizada por aquele mesmo Papa, tornando-se oficialmente a primeira santa do Brasil.

Desde aquela provocação de João Paulo II, a Igreja no Brasil viu crescer significativamente o número de santos, beatos, veneráveis e Servos de Deus ligados à nossa história.

Existem bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas contemplativas e missionárias. Há fundadores de congregações, catequistas, médicos, crianças, jovens, esposos, professores, advogados e trabalhadores. Existem mártires que derramaram o próprio sangue e pessoas que viveram décadas numa fidelidade quase escondida. Alguns nasceram aqui. Outros vieram de longe e fizeram do Brasil a sua terra de missão.

Os Santos do Brasil

A canonização é o reconhecimento definitivo, realizado pelo Papa, de que uma pessoa pode ser venerada como santa por toda a Igreja. Depois da canonização, o culto deixa de estar limitado a determinados lugares ou comunidades e o santo é apresentado universalmente como modelo de vida cristã e intercessor.

Quando falamos dos «santos do Brasil», adotamos aqui um critério histórico-eclesial amplo: pessoas nascidas em nosso território ou missionários cuja vida, missão ou martírio está profundamente ligado à história da Igreja brasileira.

São José de Anchieta, SJ
† 9 de junho de 1597
Estado de vida: sacerdote jesuíta.
Missionário, evangelizador, educador e um dos grandes personagens da primeira evangelização do Brasil. Participou da fundação de São Paulo e trabalhou intensamente na missão junto aos povos indígenas.
Beatificação: 22 de junho de 1980, por São João Paulo II.
Canonização: 3 de abril de 2014, por Papa Francisco, por canonização equipolente.

São Roque González de Santa Cruz, SJ, Santo Afonso Rodríguez, SJ, e São João del Castillo, SJ
† 1628
Estado de vida: sacerdotes jesuítas e mártires.
Conhecidos como os Mártires das Missões, dedicaram-se à evangelização dos povos indígenas na região das reduções jesuíticas do atual Sul do Brasil, Paraguai e Argentina.
Beatificação: 1934, por Pio XI.
Canonização: 16 de maio de 1988, por São João Paulo II.

Santo André de Soveral, Santo Ambrósio Francisco Ferro, São Mateus Moreira e companheiros, Mártires de Cunhaú e Uruaçu
† 16 de julho e 3 de outubro de 1645
Estado de vida: sacerdotes e leigos, homens, mulheres e crianças, mártires.
São os chamados Protomártires do Brasil, mortos durante as perseguições religiosas ocorridas no Rio Grande do Norte no século XVII. Entre eles tornou-se especialmente conhecida a profissão de fé de São Mateus Moreira, que morreu proclamando sua fé na Eucaristia.
Beatificação: 5 de março de 2000, por São João Paulo II.
Canonização: 15 de outubro de 2017, por Papa Francisco.

Santo Antônio de Sant’Ana Galvão, Frei Galvão, OFM
† 23 de dezembro de 1822
Estado de vida: sacerdote e religioso franciscano.
Primeiro santo nascido no Brasil. Foi confessor, pregador, religioso franciscano e fundador do Mosteiro da Luz, em São Paulo. Tornou-se conhecido pela caridade, pela vida de oração e pela tradição das chamadas «pílulas de Frei Galvão».
Beatificação: 25 de outubro de 1998, por São João Paulo II.
Canonização: 11 de maio de 2007, por Bento XVI.

Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, CIIC
† 9 de julho de 1942
Estado de vida: religiosa e fundadora.
Nascida Amábile Lúcia Visintainer, na Itália, chegou ainda criança a Santa Catarina. Fundou a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, dedicada particularmente aos pobres, doentes e abandonados.
Beatificação: 18 de outubro de 1991, por São João Paulo II, em Florianópolis.
Canonização: 19 de maio de 2002, por São João Paulo II.
Foi a primeira santa do Brasil.

Santa Dulce dos Pobres, Irmã Dulce Lopes Pontes, SMIC
† 13 de março de 1992
Estado de vida: religiosa das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição.
Conhecida como o «Anjo Bom da Bahia», transformou o serviço aos pobres numa gigantesca obra de assistência social e de saúde. Sua missão deu origem às Obras Sociais Irmã Dulce, que continuam atendendo milhares de pessoas.
Beatificação: 22 de maio de 2011, durante o pontificado de Bento XVI.
Canonização: 13 de outubro de 2019, por Papa Francisco.

Os Beatos do Brasil

Quem são os beatos do Brasil Conheça 15 histórias de santidade ligadas à nossa terra

A beatificação permite que um fiel seja publicamente venerado como Beato em determinados lugares, dioceses, países, institutos religiosos ou ambientes ligados à sua história. Em causas baseadas no reconhecimento das virtudes heroicas, normalmente é necessário um milagre atribuído à intercessão do Venerável; para um mártir, o reconhecimento do martírio permite a beatificação sem esse milagre.

Beato Inácio de Azevedo, SJ, e 39 companheiros, os Quarenta Mártires do Brasil
† 15 de julho de 1570
Estado de vida: sacerdote, religiosos, seminaristas e missionários jesuítas.
Preparavam-se para a missão no Brasil quando foram mortos em alto-mar por causa da fé. Inácio já havia trabalhado anteriormente no Brasil.
Beatificação: 11 de maio de 1854, por Pio IX.

Beata Bárbara Maix
† 17 de março de 1873
Estado de vida: religiosa e fundadora.
Austríaca que fez do Brasil sua terra de missão. Fundou a Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, dedicada especialmente à educação e ao cuidado dos necessitados.
Beatificação: 6 de novembro de 2010, no pontificado de Bento XVI.

Beata Francisca de Paula de Jesus, Nhá Chica
† 14 de junho de 1895
Estado de vida: leiga.
Mulher negra, pobre e analfabeta, tornou-se conhecida em Baependi, Minas Gerais, por sua oração, simplicidade, aconselhamento e atenção aos necessitados.
Beatificação: 4 de maio de 2013, no pontificado de Papa Francisco.

Beato Francisco de Paula Victor, Padre Victor
† 23 de setembro de 1905
Estado de vida: sacerdote diocesano.
Filho de uma mulher negra escravizada, enfrentou forte preconceito racial para chegar ao sacerdócio. Exerceu longo ministério em Três Pontas, Minas Gerais, especialmente ligado à educação e à formação cristã.
Beatificação: 14 de novembro de 2015, no pontificado de Papa Francisco.

Beato Manuel Gómez González
† 21 de maio de 1924
Estado de vida: sacerdote diocesano e mártir.
Missionário espanhol que atuou no Rio Grande do Sul. Foi assassinado durante missão pastoral.

Beato Adílio Daronch
† 21 de maio de 1924
Estado de vida: jovem leigo e mártir.
Com apenas 15 anos, acompanhava Padre Manuel como coroinha e auxiliar na missão.
Beatificação dos dois: 21 de outubro de 2007, no pontificado de Bento XVI.

Beata Albertina Berkenbrock
† 15 de junho de 1931
Estado de vida: jovem leiga, virgem e mártir.
Natural de Santa Catarina, tinha 12 anos quando foi morta ao resistir à violência sexual.
Beatificação: 20 de outubro de 2007, no pontificado de Bento XVI.

Beata Benigna Cardoso da Silva
† 24 de outubro de 1941
Estado de vida: adolescente leiga, virgem e mártir.
Cearense, foi assassinada aos 13 anos ao resistir às tentativas de violência sexual. Tornou-se uma referência no combate à violência contra meninas e mulheres.
Beatificação: 24 de outubro de 2022, no pontificado de Papa Francisco.

Beato Eustáquio van Lieshout, SSCC
† 30 de agosto de 1943
Estado de vida: sacerdote e religioso da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria.
Holandês, chegou ao Brasil como missionário e tornou-se especialmente conhecido pelo ministério da reconciliação, das bênçãos e do atendimento aos enfermos.
Beatificação: 15 de junho de 2006, no pontificado de Bento XVI.

Beata Assunta Marchetti, MSCS
† 1º de julho de 1948
Estado de vida: religiosa e cofundadora.
Missionária italiana ligada à obra scalabriniana, dedicou-se particularmente aos migrantes, órfãos e pobres. É reconhecida como cofundadora das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo, Scalabrinianas.
Beatificação: 25 de outubro de 2014, no pontificado de Papa Francisco.

Beato Donizetti Tavares de Lima
† 16 de junho de 1961
Estado de vida: sacerdote diocesano.
Pároco de Tambaú, São Paulo, tornou-se conhecido pela intensa vida de oração, caridade e pelas graças atribuídas à sua intercessão.
Beatificação: 23 de novembro de 2019, no pontificado de Papa Francisco.

Beato João Schiavo, CSI
† 27 de janeiro de 1967
Estado de vida: sacerdote e religioso josefino de Murialdo.
Missionário italiano que passou grande parte da vida no Rio Grande do Sul, onde atuou na formação religiosa e sacerdotal e na expansão do carisma de São Leonardo Murialdo.
Beatificação: 28 de outubro de 2017, no pontificado de Papa Francisco.

Beato Mariano de la Mata Aparício, OAR
† 5 de abril de 1983
Estado de vida: sacerdote e religioso agostiniano recoleto.
Espanhol que passou mais de cinquenta anos no Brasil, trabalhando especialmente na educação, no atendimento pastoral e junto aos pobres.
Beatificação: 5 de novembro de 2006, no pontificado de Bento XVI.

Beata Isabel Cristina Mrad Campos
† 1º de setembro de 1982
Estado de vida: jovem leiga, virgem e mártir.
Mineira, tinha 20 anos quando foi assassinada ao resistir a uma tentativa de violência sexual.
Beatificação: 10 de dezembro de 2022, no pontificado de Papa Francisco.

Beata Lindalva Justo de Oliveira, FdC
† 9 de abril de 1993
Estado de vida: religiosa e mártir, Filha da Caridade de São Vicente de Paulo.
Potiguar, foi assassinada em Salvador depois de resistir ao assédio persistente de um homem atendido na instituição em que trabalhava.
Beatificação: 2 de dezembro de 2007, no pontificado de Bento XVI.

Beato Nazareno Lanciotti
† 22 de fevereiro de 2001
Estado de vida: sacerdote missionário e mártir.
Italiano, chegou ao Brasil em 1971 e passou cerca de trinta anos em Jauru, Mato Grosso. Desenvolveu intensa atividade de evangelização e promoção humana e esteve profundamente ligado ao Movimento Sacerdotal Mariano, do qual foi responsável no Brasil. Foi vítima de um atentado e morreu depois de perdoar seus agressores.
Beatificação: 13 de junho de 2026, em Jauru, no pontificado de Leão XIV.

Os Veneráveis do Brasil

Quem são os 36 Veneráveis do Brasil Conheça suas histórias

O título de Venerável é concedido quando, após a investigação diocesana e o estudo da causa em Roma, o Papa reconhece oficialmente que o Servo de Deus viveu as virtudes cristãs em grau heroico. Em causas de martírio ou de oferta da vida existem procedimentos próprios.

Venerável Antônio Vicente Ferreira Viçoso, CM
† 1875. Bispo de Mariana e religioso lazarista, dedicado à reforma do clero e à formação sacerdotal.

Venerável José Antônio de Maria Ibiapina
† 19 de fevereiro de 1883. Sacerdote e grande missionário popular do Nordeste, responsável pela criação das chamadas Casas de Caridade.

Venerável Giuseppe Marchetti, CS
† 14 de dezembro de 1896. Sacerdote scalabriniano e cofundador das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo, Scalabrinianas, dedicado especialmente aos imigrantes italianos.

Venerável João Pedro de Sexto São João, OFMCap
† 1913. Sacerdote capuchinho e missionário na Amazônia; fundador das Irmãs Missionárias Capuchinhas.

Venerável Daniel de Samarate, OFMCap
† 19 de maio de 1924. Frade capuchinho missionário que dedicou a vida especialmente aos hansenianos.

Venerável Maria Teodora Voiron
† 16 de janeiro de 1925. Religiosa das Irmãs de São José de Chambéry, missionária e educadora.

Venerável Odette Vidal Cardoso, Odetinha
† 25 de novembro de 1939. Criança leiga do Rio de Janeiro, conhecida pela profunda vida eucarística e pelo modo cristão com que enfrentou a doença.

Venerável Júlio Maria de Lombaerde, MSF
† 1944. Sacerdote missionário da Sagrada Família, pregador, escritor e grande divulgador da devoção mariana.

Venerável Rodolfo Komórek, SDB
† 11 de dezembro de 1949. Sacerdote salesiano polonês e missionário no Brasil, conhecido pela caridade com os enfermos.

Venerável Vicenta Guilarte Alonso, FJ
† 1960. Religiosa das Filhas de Jesus que viveu sua missão no Brasil, especialmente na educação e no serviço humilde.

Venerável Pelágio Sauter, CSsR
† 23 de novembro de 1961. Sacerdote redentorista alemão, missionário por décadas em Goiás, profundamente ligado ao Santuário do Divino Pai Eterno.

Venerável Antonieta Farani
† 1963. Religiosa passionista, reconhecida por sua vida de oração e fidelidade à vida consagrada.

Venerável Nelson Santana, Nelsinho
† 24 de dezembro de 1964. Criança brasileira que enfrentou grave enfermidade com profunda confiança em Deus.

Venerável Maria do Carmo da Santíssima Trindade, Madre Carminha
† 13 de julho de 1966. Monja carmelita descalça, reconhecida pela espiritualidade contemplativa e vida de oração.

Venerável Salvador Pinzetta, OFMCap
† 1972. Irmão religioso capuchinho, cuja santidade floresceu especialmente na simplicidade dos serviços cotidianos.

Venerável Attilio Giordani
† 1972. Leigo, esposo e pai de família, Salesiano Cooperador e catequista, testemunho de santidade laical.

Venerável Padre Albino Alves da Cunha e Silva
† 1973. Sacerdote português radicado no Brasil, fundador de numerosas obras sociais em Catanduva.

Venerável Antônio de Almeida Lustosa, SDB
† 14 de agosto de 1974. Arcebispo salesiano, escritor, educador e pastor, tendo governado, entre outras Igrejas, a Arquidiocese de Fortaleza.

Venerável Libério Rodrigues Moreira
† 21 de dezembro de 1980. Sacerdote mineiro conhecido pelo atendimento espiritual e por sua fama de santidade.

Venerável Franz de Castro Holzwarth
† 14 de fevereiro de 1981. Advogado, leigo e membro da Pastoral Carcerária, morto durante uma rebelião enquanto tentava negociar a libertação de reféns. Sua causa foi reconhecida pela oferta da vida.

Venerável Benigna Victima de Jesus
† 1981. Religiosa das Irmãs Auxiliares de Nossa Senhora da Piedade.

Venerável Maria Teresa de Jesus Eucarístico
† 8 de janeiro de 1983. Religiosa e fundadora das Pequenas Missionárias de Maria Imaculada.

Venerável Marcello Candia
† 31 de agosto de 1983. Médico e empresário italiano que abandonou uma vida confortável para servir como missionário leigo na Amazônia e dedicou recursos à criação e manutenção de obras de saúde.

Venerável João Luiz Pozzobon
† 27 de junho de 1985. Diácono permanente e pai de família, ligado ao Movimento Apostólico de Schoenstatt. Iniciou a Campanha da Mãe Peregrina, levando a imagem de Nossa Senhora a famílias, escolas, hospitais e comunidades. Suas virtudes heroicas foram reconhecidas por Leão XIV em 2025.

Venerável Vítor Coelho de Almeida, CSsR
† 21 de julho de 1987. Sacerdote redentorista, pregador e missionário do Santuário Nacional de Aparecida, especialmente conhecido pela evangelização através do rádio.

Venerável Maria Imaculada da Santíssima Trindade, Mãezinha do Carmelo
† 1988. Monja carmelita descalça. Suas virtudes heroicas foram reconhecidas por Leão XIV em janeiro de 2026.

Venerável Maria dos Anjos de Santa Teresa, Dinah Amorim
† 1988. Religiosa escolápia dedicada particularmente à educação e formação da juventude.

Venerável Serafina Cinque, ASC
† 1988. Religiosa das Adoradoras do Sangue de Cristo, missionária na Amazônia.

Venerável Roberto Giovanni
† 1994. Sacerdote estigmatino e missionário no Brasil.

Venerável Maria de Lourdes Guarda
† 1996. Leiga, pessoa com deficiência e missionária, ligada à Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência.

Venerável Damião de Bozzano, Frei Damião
† 31 de maio de 1997. Sacerdote capuchinho italiano que percorreu durante décadas o Nordeste em missões populares, confissões e pregações.

Venerável Alberto Maria Beretta, OFMCap
† 2001. Sacerdote e missionário capuchinho, irmão de Santa Gianna Beretta Molla, que exerceu parte importante de seu ministério no Brasil.

Venerável Tereza Margarida do Coração de Maria, Nossa Mãe
† 14 de novembro de 2005. Monja carmelita descalça e fundadora do Carmelo de Três Pontas. Suas virtudes heroicas foram reconhecidas em 2023.

Venerável Aloísio Sebastião Boeing, SCJ
† 17 de abril de 2006. Sacerdote dehoniano e fundador da Fraternidade Mariana do Coração de Jesus.

Venerável Angelo Angioni
† 2008. Sacerdote italiano radicado no Brasil e fundador do Instituto Missionário do Coração Imaculado de Maria.

Venerável Guido Vidal França Schäffer
† 1º de maio de 2009. Médico, seminarista, surfista e evangelizador, dedicou especial atenção aos pobres e pessoas em situação de rua. Suas virtudes heroicas foram reconhecidas por Papa Francisco em 2023.

A relação consolidada chegou, portanto, a 36 Veneráveis ligados de maneira especial ao Brasil em 2026, mostrando uma variedade impressionante de vocações e caminhos de santidade.

Os Servos de Deus ligados ao Brasil

Servo de Deus é o título normalmente utilizado depois que uma causa de beatificação e canonização é formalmente introduzida pela autoridade eclesiástica competente.

O processo começa, em regra, na Igreja particular em que a pessoa morreu. São recolhidos documentos, escritos, testemunhos e dados sobre sua vida, virtudes, fama de santidade ou eventual martírio. Depois da fase diocesana, os autos são enviados ao Dicastério para as Causas dos Santos, em Roma, onde o estudo prossegue.

Portanto, chamar alguém de Servo de Deus não equivale ainda a uma declaração da Igreja de que aquela pessoa viveu virtudes heroicas. Essa conclusão poderá ocorrer posteriormente, levando ao título de Venerável.

As causas relacionadas ao Brasil são numerosas e continuam crescendo. Uma relação pública consolidada registra atualmente dezenas de pessoas, além de grupos martiriais. Entre elas estão:

Adelaide Molinari, † 1985, religiosa e missionária na Amazônia; Irmã Adélia Teixeira de Carvalho, † 2013, religiosa; Dom Alano Maria du Noday, † 1985, bispo e missionário; Padre Alberto Fuger, † 1971, sacerdote dedicado a obras de caridade; Padre Alderigi Maria Torriani, † 1977; Padre Alfredo Haasler, † 1997, sacerdote ligado à educação; Irmã Ambrósia Ana Sabatovich, † 1943, religiosa que trabalhou com comunidades ucranianas; Padre Ananias de Paula Vieira, † 1958; Irmã Anatólia Tecla Bodnar, † 1956; Padre André Bortolameotti, † 2010, missionário; Dom Ângelo Frosi, † 1995, bispo e formador; Padre Ângelo Possído Carù, † 1995; Dom Antônio Campelo de Aragão, † 1988; Antoninho da Rocha Marmo, † 1930, menino leigo conhecido pela fé vivida durante a enfermidade; Padre Bento Dias Pacheco, † 1911, sacerdote dedicado particularmente aos enfermos; Padre Bruno Linden, † 1960; Padre Caetano de Messina, † 1878, missionário capuchinho; Cecília do Coração de Maria, † 1950, religiosa; Padre Cícero Romão Batista, † 20 de julho de 1934, sacerdote profundamente ligado à história religiosa do Nordeste e especialmente a Juazeiro do Norte; Irmã Clemência de Oliveira, † 1966; Irmã Cleusa Carolina Rody Coelho, † 28 de abril de 1985, missionária agostiniana recoleta assassinada na Amazônia; Padre Danilo Rossato, † 2008, palotino; Padre Domingos Chohachi Nakamura, † 1940, missionário japonês responsável pela evangelização de muitos imigrantes japoneses; Padre Domingos Evangelista Pinheiro, † 1924; Padre Egídio Maria Moscini, † 1976; Dom Eliseu Maria Coroli, † 1982, bispo e missionário; Padre Ezequiel Ramin, † 24 de julho de 1985, missionário comboniano assassinado em Rondônia; Floripes Dornelas de Jesus, Lola, † 9 de abril de 1999, leiga mineira conhecida pela vida eucarística; Dom Francisco Expedito Lopes, † 1957, bispo de Garanhuns morto após ser baleado; Padre Gabriel de Frazzanò, † 1973; Dom Gabriel Paulino Bueno Couto, † 1982; Padre Gilberto Maria Defina, † 2004; Ginetta Calliari, † 2001, leiga consagrada e missionária do Movimento dos Focolares; Dom Hélder Câmara, † 27 de agosto de 1999, arcebispo, defensor dos pobres e um dos protagonistas da criação da CNBB; Dom Inácio João Dal Monte, † 1963; Dom Inocêncio López Santamaría, † 1958; Padre Inácio Martínez Madrid, † 1942; Jerônimo Magalhães, † 1909, e Zélia Pedreira Abreu Magalhães, † 1919, casal, pais de família, cuja trajetória uniu vida conjugal, caridade e posterior entrega religiosa; Padre João Batista Reus, SJ, † 1947, sacerdote e místico; Padre João Benvegnú, † 1986; Padre João Francisco de Siqueira Andrade, † 1881, fundador das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora do Amparo; Padre João Maria Cavalcanti de Brito, † 1905, missionário popular; Padre Joaquim Arnóbio de Andrade, † 1985; Dom José Antônio do Couto, † 1997; Padre José Calvi, † 1943; Padre José Carlos Parra Pires, † 1990; Padre José Erlei de Almeida, † 2001; Padre José Gumercindo dos Santos, † 1991; Monsenhor José Silvério Horta, † 1933; Cônego Lafayette da Costa Coelho, † 1961; Padre Léo Tarcísio Gonçalves Pereira, SCJ, † 4 de janeiro de 2007, sacerdote dehoniano, pregador e um dos fundadores da Comunidade Bethânia; Irmã Leônia Milito, † 1980; Irmã Lucia Eleonora Schiavinato, † 1966; Dom Luciano Mendes de Almeida, SJ, † 27 de agosto de 2006, bispo, ex-presidente da CNBB e homem profundamente ligado ao cuidado dos pobres e menores vulneráveis; Padre Luís Cecchin, † 2010; Padre Luís Gonzaga do Monte, † 1944; Padre Luso de Barros Matos, † 1987; Marcelo Henrique Câmara, Marcelinho, † 20 de março de 2008, jovem leigo, advogado, promotor e professor; Padre Marciano Bernardes da Fonseca, † 1946; Madre Maria Angélica da Eucaristia, † 2018, carmelita; Irmã Maria de Lourdes de Santa Rosa, † 1974; Lourdinha Fontão, † 1988, leiga missionária; Irmã Maria José Bezerra de Melo, † 1970; Maria José de Jesus, † 1959, carmelita; Maria Milza dos Santos Fonseca, Mãezinha, † 1993, leiga ligada a obras de caridade; Padre Martinho de Porres Ward, † 1999, missionário franciscano norte-americano que trabalhou no Brasil; Padre Matheus van Herkhuizen, † 1973, missionário; Padre Miguel Ângelo Pigotti, † 1995; Padre Miguel Ângelo Serafini, † 2013; Padre Nemésio Bernardi, † 2016; Dom Othon Motta, † 1985, bispo e formador; Padre Paolino Maria Baldassari, † 2016; Padre Pedro Balzi, † 2009; Dom Pedro Luís Maria Galibert, † 1965, missionário; Padre Pero Dias e onze companheiros, † 1571, missionários jesuítas martirizados quando se dirigiam à América Portuguesa; Padre Rodolfo Lunkenbein, SDB, e Simão Cristino Koge Kudugodu, Simão Bororo, † 15 de julho de 1976, missionário salesiano e indígena bororo mortos em defesa da missão e do povo indígena; Irmã Rosita Paiva, † 1991; Sepé Tiaraju, † 7 de fevereiro de 1756, líder indígena guarani ligado às reduções missionárias; Dom Tomás Vaquero, † 1992; Dom Vital Maria Gonçalves de Oliveira, OFMCap, † 4 de julho de 1878, bispo capuchinho de Olinda e protagonista da chamada Questão Religiosa do Império; Madre Vitória da Encarnação, † 19 de julho de 1715, clarissa nascida na Bahia e uma das mais antigas figuras de fama de santidade nascidas no Brasil; e Padre Waldir Lopes de Castro, † 2001, sacerdote ligado a obras pastorais e de caridade no Ceará.

Essa relação precisa sempre ser entendida como um retrato de um processo vivo. Uma causa pode avançar para a venerabilidade, uma beatificação pode ser autorizada e novas causas podem ser abertas. Só em 2026 houve alterações importantes nesse quadro, como a passagem de novos brasileiros e missionários à condição de Veneráveis e a beatificação de Padre Nazareno Lanciotti. Uma relação consolidada disponível em 2026 registra cerca de 95 pessoas na categoria de Servos de Deus vinculados ao Brasil, considerando também integrantes de causas coletivas.

Conhecer aqueles que foram santos no Brasil

Quando São João Paulo II disse que «o Brasil precisa de santos», ele não estava apenas desejando que o país tivesse nomes inscritos oficialmente no catálogo dos santos. O próprio Papa explicou o sentido daquela afirmação: a santidade revela a vitalidade da Igreja.

Por isso, conhecer a santidade brasileira vai muito além de uma curiosidade histórica.

Os santos e beatos mostram que o Evangelho pode ser vivido nas circunstâncias concretas de nossa própria terra. Eles rezaram diante dos desafios que também fazem parte da história brasileira. Caminharam pelas nossas cidades, conheceram nossas desigualdades, evangelizaram nosso povo, enfrentaram doenças, preconceitos, violência, pobreza e perseguições. Alguns vieram de outros países e escolheram gastar a vida aqui. Outros nasceram justamente nesta terra e descobriram que não precisavam ir para longe para encontrar seu caminho de santidade.

Ao mesmo tempo, conhecer os Veneráveis e Servos de Deus ajuda-nos a descobrir uma Igreja ainda mais próxima. Alguns deles viveram há poucas décadas. Há fotografias, gravações, cartas, homilias e pessoas que os conheceram pessoalmente.

A devoção também possui um papel importante nesse caminho. Conhecer a vida dos santos, pedir sua intercessão, divulgar suas histórias, visitar os lugares onde viveram e recorrer aos Veneráveis e Servos de Deus em oração ajuda a manter viva a memória daqueles que procuraram seguir Cristo entre nós. Nas causas ainda em andamento, graças e possíveis milagres atribuídos à intercessão dessas pessoas devem ser comunicados às respectivas postulações para que possam ser devidamente documentados e investigados.

O Brasil precisa de santos.

Talvez também precise conhecer melhor os santos que já tem, rezar pelas causas daqueles que ainda estão a caminho dos altares e contar suas histórias às novas gerações.

Porque a santidade não aconteceu apenas em Roma, Assis, Lisieux ou nos grandes lugares de peregrinação da Europa.

Ela passou pelas estradas de Minas Gerais, pelas periferias da Bahia, pelas missões do Rio Grande do Sul, pelo sertão nordestino, pela Amazônia, pelas praias do Rio de Janeiro, pelos conventos de São Paulo, pelas pequenas cidades do interior e por tantos outros lugares deste imenso país.

São homens e mulheres que nasceram aqui, viveram aqui, morreram aqui ou escolheram o Brasil como terra definitiva de missão.

Conhecê-los é também descobrir que, sim, é possível ser santo no Brasil.