Pedro Ballester: aberta a causa de beatificação do jovem que encontrou alegria no sofrimento

Aberto o processo de Beatificação de Pedro Ballester

A Diocese de Salford, em Manchester, abriu oficialmente a causa de beatificação e canonização de Pedro Ballester Arenas, jovem universitário inglês ligado ao Opus Dei que morreu em 2018, aos 21 anos, depois de enfrentar um câncer pélvico avançado.

A Igreja deu um passo importante para conhecer mais profundamente a vida de Pedro Ballester Arenas, jovem de Manchester que morreu em 13 de janeiro de 2018, após conviver durante três anos com uma doença agressiva. A abertura formal de sua causa de beatificação e canonização permitirá que sua vida, seus escritos, suas virtudes e a fama de santidade sejam examinados com atenção.

Papa Francisco e Pedro Ballester
Papa Francisco e Pedro Ballester

Pedro era estudante de Engenharia Química, filho de pais espanhóis, membro numerário do Opus Dei e um jovem profundamente marcado pela amizade, pela oração, pelo amor a Deus e pela capacidade de transformar até mesmo a dor em oferta.

Sua história chega em um tempo no qual muitos jovens se perguntam se ainda é possível viver a santidade no mundo real. Pedro responde com a própria vida: sim, é possível. Não em uma existência perfeita, sem sofrimento ou sem dúvidas, mas em uma vida entregue, fiel e cheia de sentido.

Quem foi Pedro Ballester?

Pedro Ballester nasceu em Manchester, no Reino Unido, em uma família católica de origem espanhola. Cresceu entre duas culturas, com a abertura e a proximidade de quem sabia fazer amigos, mas também com traços de sobriedade e discrição próprios do ambiente em que viveu.

Desde jovem, sua fé foi se tornando uma decisão pessoal. Em 2013, ingressou no Opus Dei como numerário, vocação que envolve o compromisso com o celibato apostólico e a busca da santidade no meio das realidades cotidianas. Isso significa que Pedro procurava encontrar Deus não fugindo do mundo, mas vivendo com profundidade cristã os estudos, as amizades, a convivência familiar, os deveres e as pequenas responsabilidades de cada dia.

Em 2014, foi aceito no Imperial College London, uma das instituições universitárias mais reconhecidas do Reino Unido, para estudar Engenharia Química. Naquele mesmo período, começou a sentir fortes dores nas costas. Os exames revelaram um câncer pélvico avançado.

A partir dali, a vida de Pedro mudou radicalmente. O jovem universitário cheio de planos precisou atravessar tratamentos, internações, dores intensas e limitações crescentes. Mesmo assim, não deixou que a doença apagasse sua identidade mais profunda. Pedro continuou sendo amigo, filho, estudante, cristão e testemunha de esperança.

Um jovem com o dom da amizade

Uma das características mais lembradas por quem conviveu com Pedro foi sua capacidade de fazer amigos. Ele se interessava verdadeiramente pelas pessoas, conversava com naturalidade, escutava, aproximava, acolhia e conduzia muitos a Deus sem artificialidade.

Durante os tratamentos no Hospital Christie, em Manchester, sua bondade foi percebida por pacientes, enfermeiros e médicos. Mesmo sofrendo, Pedro não se fechou em si mesmo. Fazia perguntas, criava vínculos e se preocupava com a vida espiritual dos que estavam ao seu redor.

Aberto o processo de Beatificação de Pedro Ballester
Aberto o processo de Beatificação de Pedro Ballester

O padre Joseph Evans, capelão de Greygarth Hall, que acompanhou Pedro no último ano de sua vida, destacou esse aspecto de sua personalidade. Segundo ele, Pedro se conectava com as pessoas de modo muito natural e conseguia falar de Deus a partir da amizade, sem imposição e sem distância.

Esse é um ponto muito bonito da vida de Pedro: ele evangelizava pela proximidade. Sua fé não era uma teoria, mas uma presença. Sua amizade não era apenas simpatia, mas caminho de missão.

A alegria no meio da adversidade

Pedro não viveu a doença como um personagem distante da realidade. Sentiu dores, cansaço, limitações e momentos de luta interior. Sua santidade, caso um dia seja reconhecida pela Igreja, não estará em uma imagem idealizada de alguém que não sofreu de verdade, mas na maneira como ele permitiu que Deus entrasse no seu sofrimento.

Poucas semanas antes de morrer, alguém lhe perguntou se era feliz. Depois de três anos de doença, Pedro respondeu: “Sim. Nunca fui tão feliz.”

Essa frase não nasce de uma felicidade superficial. Ela brota de uma alma que encontrou em Deus um sentido maior do que as circunstâncias. Pedro compreendeu que a alegria cristã não depende de tudo dar certo, mas de estar unido a Cristo também quando a cruz se torna pesada.

Em uma de suas atitudes mais marcantes, escreveu um cartão ao Papa Francisco, assinado também por outros pacientes com câncer, e o entregou pessoalmente ao Santo Padre em Roma, em novembro de 2015. Segundo seu pai, Pedro escreveu que tinha câncer e oferecia seus sofrimentos pelo Papa e pela Igreja.

Essa oferta revela a profundidade espiritual de sua vida. Pedro não queria apenas suportar a dor. Queria uni-la ao sofrimento de Cristo, transformando-a em oração pelas almas, pela Igreja e pelo mundo.

O sofrimento oferecido a Deus

O padre Joseph Evans, que acompanhou Pedro de perto, afirmou que ele vivia sua dor unido ao sofrimento de Cristo. Para Pedro, a doença não era simplesmente um peso sem sentido. Era uma ocasião misteriosa e concreta de amar mais, de rezar mais e de oferecer sua vida pela salvação das almas.

Essa dimensão é profundamente cristã. A fé não elimina a dor de modo automático, nem transforma o sofrimento em algo desejável por si mesmo. Mas, em Cristo, até a dor pode ser assumida, iluminada e oferecida. Pedro entendeu isso não como teoria, mas dentro da própria carne, na rotina dos tratamentos, das limitações e das dores agudas que se tornaram mais frequentes no fim de sua vida.

Sua experiência ajuda especialmente aqueles que atravessam doenças, perdas, limitações físicas, crises interiores ou provações silenciosas. A vida de Pedro recorda que o sofrimento não precisa ser vivido como abandono. Quando unido a Cristo, pode tornar-se lugar de encontro, maturidade, entrega e fecundidade espiritual.

Um possível modelo para os jovens de hoje

A abertura da causa de Pedro Ballester acontece em um momento no qual a Igreja tem visto florescer o testemunho de jovens que viveram a santidade em contextos muito próximos da realidade atual. Nomes como Carlo Acutis e Pier Giorgio Frassati ajudam novas gerações a compreender que a santidade não pertence apenas ao passado.

Pedro se insere nesse horizonte de jovens que não viveram uma fé pela metade. Sua vida fala aos universitários, aos que discernem a vocação, aos que enfrentam doenças, aos que buscam santidade no meio do mundo e aos que desejam evangelizar pela amizade.

Jack Valero, da Opus Dei, afirmou à EWTN News que Pedro pode ensinar as pessoas a serem felizes quaisquer que sejam as circunstâncias, porque estar perto de Deus é ser feliz.

Talvez essa seja uma das grandes mensagens de sua vida: a verdadeira alegria não nasce da ausência de cruz, mas da presença de Deus no coração.

Um funeral marcado pela gratidão e pela esperança

Pedro morreu em Manchester, em 13 de janeiro de 2018, aos 21 anos. Seu funeral reuniu mais de 500 pessoas na igreja do Santo Nome, em Oxford Road. O arcebispo Arthur Roche, hoje cardeal, viajou de Roma para presidir a cerimônia.

Seu túmulo, no Southern Cemetery de Manchester, tornou-se lugar de visita para pessoas de diversos países. A fama de santidade de Pedro ultrapassou fronteiras, chegando a lugares como Espanha, México e Quênia. Um cartão de oração pedindo sua intercessão já foi traduzido para vários idiomas, sinal de que sua breve vida continua tocando muitas pessoas.

O que acontece agora?

Com a abertura formal da causa, a Diocese de Salford passa a recolher e analisar testemunhos, escritos, lembranças e documentos relacionados à vida de Pedro Ballester. O objetivo é verificar se ele viveu as virtudes cristãs em grau heroico, isto é, não apenas em momentos isolados, mas como atitude constante de vida.

A Diocese convida aqueles que conheceram Pedro a enviarem testemunhos, recordações ou escritos para o e-mail: tribunal@dioceseofsalford.org.uk.

Esse processo deve ser vivido com prudência e esperança. A Igreja não se apressa em declarar alguém santo. Ela escuta, investiga, discerne e examina. Mas o simples fato de a causa ter sido aberta já permite que mais pessoas conheçam a vida de Pedro e se deixem inspirar por seu testemunho.

Uma santidade possível no meio do mundo

A vida de Pedro Ballester nos recorda que a santidade não está reservada a biografias distantes. Ela pode nascer no quarto de hospital, na universidade, em uma conversa com amigos, na fidelidade a uma vocação, na oferta silenciosa da dor e na decisão diária de amar a Deus com tudo.

Pedro morreu jovem, mas não viveu pouco. Viveu intensamente o essencial.

E talvez seja isso que sua história nos ensine com tanta força: uma vida entregue a Deus nunca é pequena, mesmo quando parece breve aos olhos do mundo.

Oração para devoção privada

Deus Pai, que concedestes ao vosso filho Pedro uma fé profunda e alegre, amor à cruz e zelo por aproximar os seus amigos de Cristo, ajudai-me a oferecer o trabalho, as alegrias e os sofrimentos pelo bem da Igreja e pela salvação de todas as almas.

Concedei-me por intercessão de Pedro o favor que Vos peço (peça-se) e fazei que também eu cresça todos os dias em fé e amor a Jesus, de modo que, com a ajuda de Nossa Senhora, Ele se torne o centro da minha vida e do meu amor. Ámen.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória

Em conformidade com os decretos do Papa Urbano VIII, declaramos que em nada se pretende antecipar o juízo da autoridade eclesiástica e que esta oração não tem qualquer finalidade de culto público.

Com informações de www.acidigital.com e opusdei.org

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