Antes de começarmos, fica aqui uma dica: se você ainda não assistiu a décima-sexta temporada de Grey’s Anatomy e não curte spoiler, corre para assistir e depois confere esse texto! Contém muitos spoilers hahahahah.

Grey’s Anatomy

Nessa última semana só vi notícias nas redes sociais e stories sobre a décima sétima temporada de Grey’s Anatomy. Pode ser porque tenho muitos amigos que, assim como eu, gostam muito do seriado ou realmente a internet parou para tentar descobrir os spoilers da nova temporada da série médica.

A décima-sexta temporada foi finalizada antes do previsto em decorrência da Covid 19, deixando alguns assuntos bem interessantes em aberto. Um deles é a questão da saúde mental do médico Andrew DeLuca (Giacomo Gianniotti). Se você não conhece a série, vale a pena conferir, eles sempre abordam temas relevantes e se você conhece, sabe bem do que estou falando.

Andrew DeLuca

Andrew sempre foi um homem e médico exemplar,
de uma conduta honesta, admirável, respeitoso e muito dedicado.

Porém, mais especificamente, na décima-sexta temporada, ele começou a apresentar comportamentos que destoaram um pouco dessa conduta. DeLuca começou a ficar agressivo, obsessivo, impulsivo e, não bastando tudo isso, estava cuidando de um caso no qual não conseguiu definir um diagnóstico. Ele, então, mentiu para trazer uma especialista ao Grey Sloan Memorial Hospital para tentar desvendar esse mistério. 

Ao se deparar mais uma vez com a falta de diagnóstico e, consequente, falta de ajuda adequada à paciente, ele entrou numa montanha russa de emoções descontroladas, ficou várias noites sem dormir pesquisando sem parar sobre possíveis diagnósticos e estava cada vez mais perdendo o autocontrole.

Sempre que se deparava com alguma negativa no sentido de suas possíveis opções de tratamento, ele ficava realmente transtornado. Em um desses episódios, ele chegou a gritar com sua então namorada, a médica Meredith Grey, e terminar com ela na frente de várias pessoas. Foi um verdadeiro e desnecessário escândalo. 

Surtou!

Outro evento importante foi quando ele atendeu uma jovem e percebeu que tinha algo de estranho na relação dessa jovem e sua tia. Por seu atual estado emocional, DeLuca não soube lidar muito bem com a situação e teve mais um episódio de surto.

Ele tentou explicar a situação para seus chefes, porém, por seu recente histórico de descontrole e suspeitas dele estar com alguma psicopatologia, ninguém acreditou nele. Ao final dessa situação, os demais médicos da série sinalizaram para DeLuca que ele estava precisando de ajuda e cuidados, entretanto, ele não conseguia assumir essa necessidade de ajuda e nem se permitia ser cuidado por ninguém.

Enfim, foram vários momentos bem delicados, alguns momentos fortes e bem tristes, mas que a série soube elucidar muito bem.

Você aceita ajuda?

Trouxe alguns momentos dessa situação do personagem Andrew DeLuca para demonstrar a necessidade e a importância de termos uma rede de apoio e de procurarmos ajuda profissional quando necessário! 

Presta bem atenção nisso, meu irmão, minha irmã: todos, TODOS nós precisamos de ajuda! Não fomos feitos para vivermos sozinhos! Essa realidade é tão verdadeira que quando alguém rejeita esse convívio ou não consegue estabelecer relacionamentos, verificamos que aquela pessoa está sofrendo alguma psicopatologia, uma vez que isso é contrário à nossa natureza. Mas, precisamos ter relacionamentos sadios, para que consigamos acolher as correções, intervenções quando necessárias.

Tenho certeza que para alguns de nós esse já é um assunto bem difícil e muitas vezes surgem inúmeras justificativas para não escutarmos quem nos ama quando estes precisam nos corrigir. Fala a verdade, é ruim quando alguém vem e nos corrige. Mas, é NECESSÁRIO! Nós não somos capazes de perceber tudo, compreender tudo, enxergar tudo e para isso temos nossos familiares, amigos e profissionais para nos ajudarem a enxergarmos além, a vermos as coisas de outras formas.

Aceite ser cuidado!

O Andrew foi se perdendo a partir do momento que já não aceitava mais a sugestão
e fala dos que o amavam, dos seus chefes no emprego e foi se afundando cada vez mais no seu universo maníaco e heroico. 

O personagem DeLuca se perdeu tanto que ele até notava que não estava bem (em uma cena dramática ele reconheceu e chorou muito…confesso que chorei junto com ele!) mas estava tão convencido de que ele tinha que resolver todos os problemas, finalizar os diagnósticos, de que ele era capaz e ninguém o entendia, que só foi piorando seu quadro de saúde mental.

Quantas pessoas tentaram o ajudar, quantos falaram para ele parar um pouco, ir dormir (ele ficou várias noites sem dormir), distrair a cabeça para poder voltar bem ao trabalho e ele só conseguia enxergar “incompreensão”. Se nós lermos isso e formos bem honestos, vamos recordar de vários – eu disse váááááriooooos – momentos nos quais nos comportamos igual (ou pior) que o DeLuca. 

No limite!

Não é fácil reconhecer nossos limites, reconhecer e assumir que não somos super heróis e super heroínas, que precisamos de um tempo para cada coisa, que não podemos assumir tudo e todos os problemas da humanidade e quem dirá os resolver. Mas, principalmente, para muitos de nós, o mais difícil é reconhecer que precisamos do outro, esse outro que me incomoda, que erra, que não faz as coisas tão bem quanto eu…enfim. Domar o nosso orgulho, reconhecer o nosso ser finito e limitado é um dos maiores muros que precisamos derrubar para dar o passo de pedir ajuda.

Perceba que é um efeito dominó: se eu reconheço que sou limitado,
consigo perceber no outro o seu limite.

Desse encontro de limitados e falhos, surge uma compreensão e um sentimento de “não estou sozinho nessa luta de ser melhor!”. É claro que é mais cômodo e agradável olhar o defeito ou os erros do outro e me “proteger” de ser encontrado nessa mesma situação, porém, viver assim é viver uma constante ilusão com data certa para acabar: no próximo erro que cometo já ganho esse atestado de limitado! 

Não reconhecer nosso limite e fugir dessa realidade, causa em nós diversas “enfermidades” no corpo, na psique e na alma! Poderíamos falar sobre vários outros pontos, mas hoje vamos nos atentar a esse:

Humildade

Deus, em Sua infinita bondade, nos deixou vários caminhos para combater esses males, um deles é a humildade. A humildade é um berço para outras tantas virtudes. Nunca é o bastante vivê-la, sempre aprenderemos mais e ela sempre nos ajudará a buscar outras virtudes. A humildade não faz de nós pobres coitados, muito pelo contrário, nos faz crescer a partir dos nossos limites, nos faz amadurecer!

A humildade é o melhor caminho para reconhecer a ajuda que eu preciso e que está no outro!

A humildade também me ajuda a reconhecer o caminho que preciso trilhar e me faz caminhar nele. Se precisamos uns dos outros, que vivamos então essa realidade! Aprendamos a ser melhores do que fomos hoje e a nos ajudarmos mutuamente, na caridade que vem de Deus!

Um cuidado integral

Todos nós, em algum momento, também precisaremos de ajuda especializada, ou seja, ajuda profissional para que consigamos viver bem alguns sofrimentos, desafios, mudanças… Precisamos abrir os olhos e reconhecer a mão de Deus que chega a nós através de bons médicos, psicólogos, psiquiatras, nutricionistas e tantos outros anjos da saúde! Não esqueçamos também da tão fundamental e necessária ajuda espiritual! Tenha sempre ao seu lado pessoas que te ajudem a avançar e crescer na fé!

Nós não nascemos para permanecermos na planície, na beira do mar, não nascemos para sermos fechados em nós mesmos, nas nossas dificuldades, em nossas dores, nos nossos sofrimentos, nas nossas ambições… nós nascemos para as águas mais profundas, águas de liberdade, de maturidade, de saúde integral!

Enfim…

Peçamos a Deus que nos ajude a mergulhar mais fundo, a crescer, a pedir ajuda, a acolher a ajuda…e, principalmente, a depender mais e mais dEle, a procurá-Lo mais e mais… pois nenhuma ajuda é tão eficaz quanto a ajuda dAquele que nos criou no amor, por amor e para o amor! 

Para te ajudar a rezar, vale a pena ouvir a música “Ladainha da Humildade” do Missionário Shalom.

Rosana Menezes
Missionária da Comunidade Aliança de Misericórdia e Psicóloga 

Siga nas redes sociais: instagram.com/rosanamenezes.am e youtube.com/casalmenezes

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: