Quase segunda-feira e eu escrevendo aqui no blog para falar de amor. Mas não de qualquer amor.

Um amor que nos incomoda, que nos tira de nós e que faz com que tantas pessoas peguem as dores de outras, sequem as lágrimas de desconhecidos ou, simplesmente, se coloquem à serviço para que outros descansem ou se previnam dessa tensa pandemia.

Às vezes nem percebemos que estamos amando e isso é muito bom. É bom, pois assim não “registramos” para os outros que amamos ou o nosso ato de amor, mas o fazemos sem a necessidade de reciprocidade ou recompensas.

É interessante, pois nesse tempo de isolamento estamos separados da Eucaristia, das atividades pastorais, dos grupos de oração, das pregações, das missões, da vida paroquial. Então, cada vez mais aprendemos que o amor a Deus que “despejávamos” na vida religiosa e que tanto nos faz bem, hoje é traduzido ainda mais em atos concretos de amor ao outro, onde Deus também habita.

E de onde nasceu o desejo de escrever esse texto? Nasceu da conversa despretensiosa com um cara que eu aprendi a admirar mesmo sem o conhecer pessoalmente, ainda mais porque de alguma forma já fui tocado por sua missão.

Júlio Hermann é um jovem escritor brasileiro, lá do sul, que escreveu dois best-sellers de literatura adolescente, mas que nas redes sociais e nos e-mails que envia para a galera, se mostra como um grande cristão que ama, fala de amor e convida a amar. Eu o conheci através de uma publicidade do projeto “Minha Biblioteca Católica”.

Me meti a besta em responder um dos e-mails, depois o chamei no Instagram dizendo que ao ler um livro tinha lembrado dele. Coisa de carismático, né? Mal tem discernimento de algo e já quer contar o que “sentiu” huahua.

Partilhei com ele algumas vezes, falei do meu desejo de receber a Eucaristia, ele disse que iria à missa e comungaria e rezaria por mim… mas.. uma hora, eu pensei: tô incomodando o cara que nem me conhece e estou me metendo a falar coisas que talvez sejam da intimidade dele. Eu externei esse incômodo. Aí foi quando ele soltou essa frase que dá título a esse texto: “estranho seria se não nos amássemos!”. Isso acabou comigo. Eu não sabia nem como responder! Um cara que eu nem conheço pessoalmente, vinha me dizer que mesmo nessa situação, o estranho não é amar quem eu não conheço, mas sim o contrário.

Vale lembrar, então, que o contrário de amor não é ódio, mas INDIFERENÇA e, graças a Deus, isso é algo que tem sido superado, ao menos nesse tempo onde o sofrimento não tem escolhido pobres ou ricos, mas tem pego a todos.

Cara, isso é muito real! O próprio Jesus em seus últimos discursos falava justamente sobre a necessidade do amor: amor a Deus, amor aos outros e o amor heroico com os nossos inimigos. E aí ele ainda diz: “nisso reconhecerão que sois meus discípulos: se amarem uns aos outros!”.

Nesse tempo de pandemia tem sido tão bonito ver tantas manifestações de amor. É o tempo de transformar a dor em amor!

Trabalhando na Aliança de Misericórdia tenho visto isso tantas vezes: ricaças transformando suas imensas salas em atelier para confeccionar máscaras para os mais pobres, grandes marcas doando coisas de alta qualidade, pequenas marcas doando o pouco que têm, os missionários saindo para as ruas para encontrarem aqueles que mais necessitam e assim darem alimento para o corpo e para alma, gente se arriscando numa cidade que é a mais afetada pelo coronovirus no país, dentre tantas outras coisas.

E na Canção Nova? Eles colocaram a maioria dos funcionários da TV em casa para se prevenirem do COVID-19. Já os que sempre estavam “brilhando” em frente às câmeras, como o cantor Thiago Tomé, o apresentador Janjão (que fez parte da minha infância) e tantos outros, estão agora atrás delas, cuidando da parte técnica e fazendo com muita alegria, porque como “filhos do Monsenhor Jonas”, querem ser tudo para todos!

E as pequenas paróquias que nunca fizeram nada na internet e que agora estão se esmerando para levar a Palavra de Deus? Cara, é fantástico! Viram aquele padre que sem querer ativou os filtros do Instagram? Então..

Tudo isso é sintoma de um amor que fecundou os corações e que agora está dando frutos, muitos frutos. E que bom ver que no meio do caos, a Glória de Deus resplandece através de cada vida que se coloca à disposição de outras vidas, seja com muito ou com pouco, seja virtual ou fisicamente.

Em casa, conectados ou desconectados: “amemo-nos uns aos outros pois o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus, pois quem ama conhece a Deus”.

Seria estranho se não nos amássemos, portanto, sejamos amor, como dizia Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face.

Tamu Junto!

Boa semana!

Ah, conheça o Júlio, vale a pena! Instagram / Blog / Livros

Ps: ler os dois livros dele é uma meta pra esse ano, por mais que não seja o meu tipo de leitura.

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