Ser Santo sem deixar de ser jovem
(de espírito, coração, maduro)

O papo de hoje quer nos levar a refletir sobre Maturidade; meio indispensável para nossa Santificação. A frase aí em cima é um pouco clichê e justamente por isso quis provocá-los a desconstruir a ideia de que para ser Santo precisamos ser obrigatoriamente jovens ou que para buscarmos a Santidade não precisamos abdicar de certos complexos juvenis; precisamos e devemos abandonar esses complexos!

Sem maturidade, sem santidade!

Podemos nos santificar sem sermos jovens (adultos ou já idosos e até crianças), no entanto, não poderemos nos santificar sem sermos MADUROS. É bom que se diga que Maturidade não tem muito a ver com a idade cronológica, e sim em como assimilamos as experiências vividas e como as tratamos. A maturidade também deve ser entendida com um conjunto de virtudes que forjam o caráter e disciplinam o corpo e a mente.

É importante recordar que o ser humano maduro não é o cara chato que não aceita nada e vive de mal humor todo dia; ao contrário, é a pessoa que

(…) pelas atitudes, pelo seu modo de encarar a vida e abordar os problemas, parece ter uma abertura de cabeça e de coração capaz de avaliar corretamente a situação e de dar um parecer ponderado sobre o valor das pessoas e das coisas

“Maturidade”. Rafael Liano Cifuentes. Editora Quadrante. Cap 1, pág 3.

Nesse texto gostaria de partilhar somente algumas características do ser humano maduro e o seu inverso, já que o assunto certamente daria um livro. Vamos nos ater à maturidade enquanto vida espiritual e social, sem entrarmos nos campos psicológicos e científicos.

Crianças maduras

Muitos já devem ter ouvido falar dos pastorinhos de Fátima, as humildes crianças a quem Nossa Senhora apareceu insistindo que eles rezassem pelos pecadores e espalhassem a devoção do Santo Rosário.

Lendo os relatos das aparições da Virgem às crianças (Francisco, Jacinta e Lúcia) notamos, apesar da pouca idade, que agiram com plena maturidade; elas não saíram correndo apavoradas ainda que isso não fosse natural e compreensivo nas aparições, primeiro do Anjo e depois de Maria; mantiveram em segredo o que ocorreu durante algum tempo, e aqui o fato mais importante: elas aceitaram sofrer e fazer mortificações, inclusive enfrentando incompreensões dos mais próximos por amor a Deus e para a conversão dos pecadores.

Daqui extraímos uma das características do ser humano maduro: a paciência e a capacidade de amar e sofrer por esse amor.

Santo Agostinho: homem de coragem!

Podemos lembrar também do grande Santo Agostinho, cuja festa celebramos semana dia 28 de agosto. Durante muito tempo viveu o que mais empobrecida a alma humana; luxúria, vaidade, soberba, heresias, ao passo que ao escutar as pregações de Santo Ambrósio (339 +378) e ter contato com a palavra de Deus aos 33 anos de idade, caiu em si, descobriu a verdade e num ato de fé e coragem se converteu.

Agostinho escreveu uma das mais brilhantes obras do cristianismo, o livro das Confissões. Nele é possível encontrar uma alma completamente empenhada em expor e assumir suas misérias, tendo em vista a grande Misericórdia de Deus para com ele. Aqui encontramos outras características do ser humano maduro: a capacidade de olhar pra dentro de si, humildade ao assumir culpa, confessar os erros, gratidão.

É importante notar que mesmo tendo uma vida devassa, o bispo de Hipona sentia que faltava algo; como ele próprio escreve “meu coração está inquieto enquanto não repousa em ti” (cf. “Confissões”. Lv 1, pág 4, Ed. Companhia das Letras. 2017) e foi exatamente o que fez Agostinho; pediu perdão a Deus, se livrou da culpa que carregava e agora livre, pode amar e dar frutos à Igreja.

O sacrifico dos três pastorinhos de Fátima e a humildade resoluta de Agostinho mostram que essas virtudes são caminho para a plenitude, caminho seguro para a santidade.

Adultescentes?

Em contrapartida, atualmente temos adultos e idosos com comportamentos infantis. Nosso tempo se destaca pela carência em assumir responsabilidades, de enfrentar situações e pessoas desagradáveis, de buscar, ainda que doa, o que seja bom e correto.

Nossa geração se acostumou com o rápido, fácil e indolor; pedir comida, se locomover, comprar pela internet, redes sociais; um clique, uma mensagem, uma foto e pronto: tudo resolvido… Basta ver como estão as relações pessoais: quantas pessoas que não suportam a opinião política do outro, querem fazer prevalecer sua opinião a todo custo, acabam perdendo amizades, criam divisões.

Veja também os relacionamentos afetivos, há uma competição silenciosa em quantidades de relações sexuais com pessoas diferentes, a infidelidade conjugal, a pornografia, masturbação. A inversão de valores acontece justamente porque se quer o fácil e o prazeroso e não a renúncia, a resiliência, a humildade, o perdão, a firmeza de coração como os exemplos dos santos.

Vida virtuosa

É o distanciamento dessas virtudes a raiz da falta de maturidade dos nossos tempos. Afastados daquilo que é nossa meta e que o coração de Deus deseja (1 Pedro 1, 16), tudo vira instinto e a razão já não encontra espaço. Já notaram como os bebês ou crianças pequenas se comportam quando contrariadas? Quem nunca viu uma birra pra comer um legume ou verdura, ou um escândalo no supermercado?

Nós podemos ter feito isso já, eu muitas vezes… Rs. Elas não têm ainda capacidade reflexiva para analisar a explicação racional do pai e da mãe, agem por instinto. Muitas pessoas veem o sofrimento somente como algo a ser evitado a qualquer custo. Estão longe da noção do céu e do amor salvifíco de Cristo na Cruz; querem o Deus de Milagre, o Deus que atenda todos os seus desejos; esquecem que esse mesmo Deus foi crucificado sem merecer para nos livrar de uma dívida que humanamente não poderíamos pagar.

Aprender sempre, para crescer sempre

Observem que pouco a pouco vamos nos anestesiando, vivendo mascarados, longe de olharmos para nós e nos perguntarmos o que há de errado, ou como Santo Agostinho, de procurar sem cessar até encontrar um repouso ao seu coração. É como se fossemos retardando o que seria natural: aprender com as experiências de erros, acertos, sonhos, desilusões e sofrimentos.

Já no início apontávamos que é das experiências que tiramos grande parte dessa capacidade de entender e suportar, aconselhar e discernir a nossa vida e nos aproximarmos de Cristo. Nosso desafio pessoal rumo à santificação é unificar tudo e o nosso todo, usar dos desafios e contrariedades como um trampolim que impulsiona a fé e a oração que nos inclina para a caridade, favorecendo o crescimento das virtudes.

A maturidade pode ser entendida como o acabamento das virtudes consideradas globalmente, como o nexo de união entre todas elas, como expressão visível dessa unidade de vida que traz coerência e harmonia aos diversos aspectos da nossa personalidade

“Maturidade”. Rafael Liano Cifuentes Editora Quadrante. Cap 5, pág 112.

“Para a edificação do Corpo de Cristo até chegarmos, todos juntos, à unidade na fé e no conhecimento do Filho de Deus, ao estado de adultos, à estatura de Cristo em sua plenitude. Então não seremos mais como crianças, entregues ao sabor do vento de doutrina, ludibriados pelos homens, e por eles, com astúcia, induzidos ao erro. Ao contrário, vivendo segundo a verdade, no amor, crescemos sob todos os aspectos em relação a Cristo” (cf. Efésios 4,12b-15)

Assim, irmãos, certos de que a idade passa, sejamos santos, velhos ou jovens. Homens e mulheres que buscam o bem, a verdade e o “amor que une a todos na perfeição” (Colossenses 3,14).

Luiz Batizelli,
Filho de Deus, Vocacionado da Comunidade Católica Palavra Viva (Núcleo de Aliança de Taboão da Serra/SP) e amigo da Geração Eleita.

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