O bom humor e a tiração de sarro são muito próprios do brasileiro, não é mesmo? Crescemos assistindo vários programas de humor e tendo em nosso imaginário popular personagens de filmes que nos fizeram rir e que são imitados até hoje.

Imaginário Popular

Quem não lembra, por exemplo, do debochado Chicó, de “O Auto da Compadecida” de Ariano Suassuna? Do “Nerso da Capitinga” ou dos “Trapalhões”?

Mas parece que perdemos a mão no quesito humor. Parece que não sabemos – no geral – até onde podemos ir. Medir as consequências, então, virou acessório de luxo na zoação.

Vemos muito hoje o tema bullying em discussão. E é importante mesmo que ele seja pauta das nossas conversas em casa, nas escolas. Porque muitas vezes o bullying pode paralisar uma pessoa numa deficiência, diferença ou dificuldade. Pode levar ao isolamento, depressão e até ao suicídio.

Case Sidão

Sidão recebe prêmio "Craque do Jogo"

Vimos já esse ano um episódio que tem se tornado normal: zoar com os piores em campo nos jogos de futebol. E assim foi. Mas, o prêmio “Craque do Jogo” (da TV Globo) era pra ser realmente para o melhor, mas a internet não perdoou e premiou Sidão, o goleiro do Vasco, que tinha tido um mal desempenho na partida.

É claro que foi um prêmio irônico. Mas o que muitos não sabiam é que o goleiro já vinha numa má fase na vida, estando até mesmo em estado de depressão e tentado suicídio.

A humilhação gratuita sofrida pelo goleiro poderia ter levado o mesmo a graves consequências, mas em seu perfil no Instagram, Sidão deu a “receita” para vencer a zoação e usá-la como motivação para crescer:

“Uma trajetória com muita luta, sempre foi assim a minha vida. ‘Do Caos, surgem as oportunidades. Que esse constrangimento generalizado toque cada um de nós (atletas, jornalistas, técnicos, dirigentes, agentes, torcedores..), enfim, todos aqueles que buscam e tentam fazer um futebol melhor, tendo como pilar principal o RESPEITO PROFISSIONAL”.

Geração Floco de Neve

O bom humor é próprio também do cristão que busca viver aqui na terra a essência do céu. Mas é preciso que também haja o respeito pela dignidade humana, visitando o limite de cada um.

É necessário haver a compreensão, a leveza da vida para que uma piada não seja sempre uma bomba que nos destrói. Quem tem amigos piadistas vive o “drama” da zoeira cotidiana e aprende a lidar. Eles zoam com a estatura, com o peso, com seus “tiques”. E chega uma hora que se torna normal e até bom para nos tirar de momentos de dor, tristeza e solidão.

O que não pode acontecer é se ferir com tudo, como se todos estivessem contra você. Como se você fosse o alvo do mundo todo. Calma! Claro, pode ser que realmente fira sua dignidade e aí você precisa agir, deixando claro, demonstrando infelicidade e até repreendendo atitudes. Mas não pode ser chato a ponto de se entristecer com todas as piadas, colocando-se como vítima, tornando-se o chato da turma.

Não seja aquele que se ofende com tudo. Saiba filtrar, entrar na zoeira, zoar junto. Brincar, se alegrar, claro, sem ferir a dignidade do outro.

Oração pra deixar de ser chato

Muitos santos trazem a vivência da alegria como passo essencial para a santidade. Dom Bosco mesmo dizia que “santidade é alegria!”. O Papa Francisco, muito conhecido por sua irreverência e alegria, falou na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate: “O santo é capaz de viver com alegria e senso de humor”.

O pontífice ainda recomenda a oração de São Thomas More, um verdadeiro antídoto contra a chatice e a extrema sensibilidade que faz com que nos firamos com tudo:

“Dai-me, Senhor a saúde do corpo e, com ela, o bom senso pra conservá-la o melhor possível. Dai-me, Senhor, uma boa digestão e também algo para digerir. Dai-me uma alma santa, Senhor, que mantenha diante dos meus olhos tudo o que é bom e puro. Dai-me uma alma afastada do tédio e da tristeza, que não conheça os resmungos, as caras fechadas, nem os suspiros melancólicos…E não permitais que essa coisa que se chama o “eu”, e que sempre tende a dilatar-se, me preocupe demasiado. Dai-me, Senhor, o sentido do bom humor. Dai-me a graça de compreender uma piada, uma brincadeira, para conseguir um pouco de felicidade e para dá-la de presente aos outros. Amém!”

Robson Landim, filho de Deus.

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