O que uma carmelita e um condenado têm em comum?
À primeira vista, nada. De um lado, Santa Teresinha do Menino Jesus, a “santinha” que nunca saiu do Carmelo em Lisieux, conhecida por sua “pequena via” de amor e confiança em Deus.
Do outro, Jacques Fesch, um jovem francês que viveu de forma desordenada, mergulhado no vazio e no crime, condenado à morte por homicídio após um assalto malsucedido.
Mas os caminhos desses dois franceses se encontram no mesmo destino: o Amor misericordioso de Deus.
Santa Teresinha e a pequena via
Teresinha de Lisieux (1873–1897) entrou ainda adolescente no Carmelo e ali descobriu um caminho de santidade que não passava por grandes feitos, mas pela entrega confiante em cada gesto pequeno, cotidiano e escondido. Sua espiritualidade – a chamada pequena via – ensina que todos podem ser santos, desde que vivam a confiança filial e o amor em cada detalhe da vida.
Declarada Padroeira das Missões e Doutora da Igreja, Teresinha recorda que a santidade é um chamado universal.
Jacques Fesch: da escuridão à luz
Quase um século depois, outro francês escreveria uma história bem diferente. Jacques Fesch (1930–1957) cresceu afastado da fé, mergulhou no vazio de uma vida sem sentido e se envolveu em crimes.
Preso após um assalto que terminou em morte, aguardou a execução na prisão. Foi ali, em meio ao sofrimento e à solidão, que fez uma profunda experiência do amor de Deus e viveu uma conversão radical.
Suas cartas e diários revelam uma fé viva, cheia de esperança e confiança. No dia da sua morte, escreveu: “Em cinco horas verei Jesus.”
Uma devoção inesperada: “Minha pequena Teresa”
Na prisão, Jacques Fesch encontrou em Santa Teresinha uma amiga espiritual. Tornou-se devoto da carmelita e a chamava carinhosamente de “minha pequena Teresa”.
Assim, o caminho da “pequena via” encontrou eco no coração de um homem condenado, mostrando que a santidade não é privilégio de alguns, mas dom oferecido a todos.
Santidade: nunca é tarde para voltar ao Pai
Ao celebrarmos hoje Santa Teresinha do Menino Jesus e fazermos memória da morte do Servo de Deus Jacques Fesch, somos lembrados de que a santidade tem muitas faces:
- Teresinha, no silêncio e no escondimento do Carmelo, mostrando que a grandeza está no ordinário vivido com amor.
- Jacques, no último instante de sua vida, testemunhando que nunca é tarde para recomeçar.
Dois franceses, duas histórias tão diferentes, mas unidos pela mesma misericórdia de Deus.
Conclusão
A vida de Santa Teresinha e a conversão de Jacques Fesch nos ensinam que Deus faz novas todas as coisas. A santidade não é uma questão de perfeição humana, mas de abrir-se ao Amor que transforma.
Que Santa Teresinha interceda por nós, e que o testemunho de Jacques inspire a esperança de que, em qualquer situação, é sempre tempo de voltar para Deus.


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