O martírio e a castidade estão na vocação à santidade do povo brasileiro. Albertina, Isabel e Benigna são provas disso.

Mas, o que nem os católicos brasileiros sabem muito bem, é que em solo brasileiro nasceram três mártires da castidade:

A Beata Albertina Berkenbrock e as Servas de Deus Isabel Cristina e Benigna, que já tiveram suas beatificações aprovadas pelo santo padre.

Mártires brasileiras

Essas três meninas têm algo muito forte em comum: preferiram à morte que perderem a pureza de seus corpos.

A brutalidade dos assassinos das três, não as fizeram mudar de atitude. Elas sustentaram até o fim, o “antes morrer do que pecar” que muitos anos antes, São Domingos Sávio bradava na Itália.

A vida das três era muito simples, mas viviam de verdade os mandamentos, o amor, a castidade, a busca pelas virtudes.

Santidade na vida ordinária

De forma especial, a Serva de Deus Isabel Cristina traduz uma santidade que não depende da vida religiosa consagrada ou de grandes feitos. Na vida ordinária, Isabel honrou a Deus em tudo. Seu martírio, por exemplo, aconteceu na cidade onde ela estava para estudar num curso pré-vestibular.

As três meninas brasileiras se unem a grandes santas que no passado também preferiram “perder a vida para ganhá-la” (cf. Mt 16,25), como Santa Maria Goretti, Santa Filomena e Santa Inês. Seus testemunhos nos dizem que a castidade não é uma prisão, pelo contrário, mas uma chave que abre as grades para uma liberdade real, que vai além de uma realidade terrena.

Sementes de uma nova geração

As três entenderam que o prazer da carne não se compara com o prazer da vida eterna, onde não haverá dor, nem choro, nem tristeza, onde viveremos “bem felizes no Reino que para todos o Senhor preparou” (cf. Oração Eucarística V).

O sangue dos mártires se torna semente para novos e bons cristãos. No caso dessas nossas jovens irmãs e intercessoras, torna-se semente para uma nova geração de jovens católicos que vivem a castidade não como uma obrigação, mas por amor ao Senhor.

A castidade não é!

Vale lembrar que a castidade não é apenas “não transar”, se fosse assim, casados não viveriam a castidade.

A castidade também está no modo como falamos, andamos, nos portamos, nos vestimos, o quê assistimos e ouvimos, dentre tantas outras coisas. Dentro disso, por exemplo, está o zelo com o corpo (seu e do outro), entendendo que o outro não é um pedaço de carne exposto no açougue e que você pode escolher, levar pra casa e se acabar de prazer.

Uma vida feliz!

Não! Apesar de muita gente não entender essa realidade e acabar vivendo desregradamente, somos chamados a termos uma vida regrada, santa, feliz!

Como dito acima, a castidade não é uma prisão. Quem a vê assim, não entendeu nada! Ou, na verdade, não quer entender, pois sabe que isso lhe exigirá uma nova postura.

Albertina Berkenbrock

Nasceu em 11 de abril de 1919 em Imaruí (Santa Catarina). Em sua vida, a confissão e a eucaristia eram frequentes.

Muito cedo, ainda aos 12 anos de idade, a pequena Albertina sofreu o martírio, “perdendo a vida” para preservar sua integridade física e espiritual. Em 15 de junho de 1931, a menina foi procurar um boi no pasto. No caminho, encontrou aquele que lhe tiraria a vida.

Primeiro ele a enganou sobre a localização do animal e acabou levando-a para o local onde ela seria abusada sexualmente. Chegando no local, ele a derrubou e tentou lhe estuprar, mas ela, com coração entregue ao Senhor, fez de tudo para não permitir. Sem conseguir o que queria, o assassino a degolou, enfiando um canivete em seu pescoço.

Logo após esse episódio brutal, a fama de santidade da pequena Albertina se espalhou em sua cidade.

Albertina foi proclamada Beata em 2007 pelo Papa Emérito Bento XVI.

Isabel Cristina Mrad Campos

A jovem mineira Isabel Cristina foi assassinada por um homem que foi até o seu apartamento para montar um armário.

Apesar de nascida em Barbacena, para realizar o sonho comum para tantos jovens de estudar numa boa faculdade, mudou-se para Juiz de Fora. Ela queria cursar Medicina para ser pediatra e cuidar de crianças carentes.

No dia de seu martírio, o tal montador tentou violentá-la e, como ela, assim como Albertina, resistiu, ele atacou a jovem com uma cadeira na cabeça. Além disso, ele a amarrou, amordaçou, rasgou suas roupas e lhe deu diversas facadas. A fama de santidade de Isabel também percorreu todo o Estado de Minas Gerais.

O seu processo de beatificação foi aberto em 2001, mas foi em 28 de outubro de 2020, que o Papa Francisco reconheceu o seu martírio, pulando assim a necessidade de um primeiro milagre para a beatificação.

Benigna Cardoso da Silva

A cearense “menina” Benigna, como é conhecida, nasceu em 15 de outubro de 1928, em Santana do Cariri.

A jovem era conhecida nas redondezas por sua humildade e religiosidade. Aos 13 anos de idade, em 24 de outubro de 1941, também foi assassinada, assim como suas irmãs no martírio Albertina e Isabel, por se defender de uma de um colega de escola, que tentou lhe abusar sexualmente.

A pequena menina é conhecida como “Heroína da Castidade”, por também preferir à morte à violação de sua promessa de virgindade e entrega ao Senhor.

Em 2013, Benigna recebeu o título de Serva de Deus, ao término da fase diocesana do processo de beatificação. Já no dia 3 de outubro de 2019, o Papa Francisco reconheceu o seu martírio, também abrindo as portas para que seja beatificada sem a necessidade de um primeiro milagre. A cerimônia de beatificação estava marcada para o dia 21 de outubro de 2020, mas não aconteceu por conta da pandemia.

Que essas jovens meninas roguem por nós, para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

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